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Um Novo Acordo Multilateral

Artigo de Opinião - Por Leonard Batista, Associado III do Instituto Líderes do Amanhã


Em fevereiro de 2022 o mundo se viu em meio à guerra entre Rússia e Ucrânia. O conflito trouxe novamente à tona não somente o costumeiro protagonismo de grandes potências como EUA, China e Rússia, mas também reavivou as discussões à cerca de diversas instituições multilaterais como ONU e OTAN.


Por definição, uma instituição multilateral é uma entidade criada entre diferentes nações com o objetivo de trabalhar em comum para o desenvolvimento de áreas como política, economia, saúde e segurança. Neste contexto, ao avaliarmos as instituições multilaterais existentes, podemos verificar a existência de uma “caçula” criada em setembro de 2021, e denominada AUKUS (acrônimo do Inglês Australia, United Kingdom, United States) que o presente artigo pretende abordar.


A AUKUS tem por objetivo inicial a formação de uma aliança militar entre EUA, Austrália, e Reino Unido, para equilibrar a crescente presença militar da China na região do Indo-Pacífico. Considerada por muitos a maior parceria no setor de defesa em décadas, o acordo permitirá que a Austrália construa submarinos com propulsão nuclear a partir de tecnologia americana. Dessa maneira, o país da Oceania passará a ser o 7º Estado a possuir um submarino com tal tecnologia. Essa será a primeira vez desde 1958 que os EUA compartilharão sua tecnologia para desenvolver submarinos com propulsão nuclear. O acordo também inclui áreas como inteligência artificial, tecnologia quântica e cibersegurança.


Na visão da China, o acordo pode prejudicar a paz e a estabilidade na região. Pequim reivindica há algum tempo a jurisdição das águas do mar do sul da China, e a AUKUS colocará essa soberania em risco uma vez que o ocidente irá ceder submarinos à Austrália para patrulhar as águas do mar do Sul da nação oriental. A nação oriental ainda acusa EUA, Austrália e Reino Unido de fomentar uma corrida armamentista no oriente.


Por outro lado, a movimentação chinesa para dominar o mar ao sul do país tem interesses claros. Esta localidade abriga um terço das rotas comerciais marítimas do mundo e movimenta mais de US$ 3 trilhões por ano. Pequim não deixa de mostrar sua força na região. Em 2020 um navio pesqueiro vietnamita foi afundado e um navio petroleiro da Malásia foi interceptado por embarcações militares chinesas, ambos naquela região.


O que se vê claramente é uma movimentação ocidental para fazer frente à expansão chinesa no Pacífico. Uma mudança geopolítica da região, e que carrega consigo um peso nuclear (ainda que sutil) suficiente para colocar sob questionamento o atual status quo regional. Enquanto Pequim considera que a região do Indo-Pacífico está sob sua jurisdição, Washington entende a área como águas internacionais, e para fazer frente ao poderio bélico oriental, colocou seus três maiores submarinos na região no fim de 2021. Todos estes movimentos podem servir, por exemplo, de dissuasor contra possíveis ataques contra Taiwan e Japão.


Com todo esse xadrez geopolítico, quem sai reforçada é a Austrália. A importância da região do Indo-Pacífico tanto para os EUA quanto para o Reino Unido tem ficado cada vez maior. A China, por sua vez, tem dado sinais de que não quer um conflito militar aberto, mas o país parece estar, hoje, muito mais perto disso do que no passado recente. A formação da AUKUS nos coloca em meio a um movimento geopolítico entre ocidente e oriente, e um fato deve ficar em nosso radar: o tratado ocidental pode dar início à primeira marinha global do mundo.


Leonard Batista, Associado III

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