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Resenha - Os erros fatais do socialismo

Resenha Crítica por Mateus Oliveira, Associado III do Instituto Líderes do Amanhã


A obra The Fatal Conceit, como originalmente foi escrita, foi lançada no Brasil como Os Erros Fatais do Socialismo. Porque a Teoria não Funciona na Prática) e escrita por Friedrich von Hayek, um economista e filósofo austríaco nascido em 1889, sendo considerado um dos melhores e mais relevantes economistas da Escola Austríaca. Sua contribuição lhe concedeu o Prêmio de Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel de 1974. O livro, escrito nos seus últimos anos de vida, faz uma comparação entre a ordem espontânea e a ordem racionalista e tem como objetivo mostrar porque o socialismo não funciona na prática.


A proposta central do livro é com base histórica e filosófica, questionar os erros conceituais do socialismo e entender quais foram as ideias que os levaram a cometê-los diferente da maioria dos livros que dissertam sobre o tema, essa obra busca ir além das práticas cometidas e entender a razão e o pensamento que os motivou. De acordo com o entendimento de Hayek, os socialistas não conseguem enxergar a sociedade ampliada, a visão é limitada apenas a uma realidade ou grupo específico.


Em uma sociedade ampliada composta por valores, culturas e ética, o controle é algo impossível. Não há como se falar em igualdade sendo que em cada sociedade os indivíduos possuem pensamentos distintos. Esse é um grande erro cometido pelos defensores da filosofia socialista e prova que essa ideia em hipótese alguma daria certo. Na visão coletivista, os integrantes de determinada civilização são obrigados a cooperar em nome do coletivismo.


Entretanto, Hayek aborda que, para que ocorra a cooperação dos indivíduos em determinada sociedade, o melhor caminho é assegurar as liberdades individuais. O economista rotula esse tipo de prática como ordem espontânea. Nela, a cooperação ocorre de forma mútua em defesa dos seus próprios valores, as trocas ocorrem de acordo com o que cada um pode oferecer, sem que sejam forçadas pelo Estado.

Essa é uma das maiores belezas que o liberalismo apresenta por meio das liberdades individuais, os indivíduos conseguem estabelecer trocas e relações de forma espontânea. Além disso, Hayek também aborda sobre as tradições morais. Como o próprio nome sugere, sua origem é consequência dos hábitos, costumes e tradições de uma determinada civilização ao longo dos anos. De acordo com o pensamento do autor, o desenvolvimento humano ocorreu por meio dessas tradições, e não pela razão.


Não obstante, o autor aborda sobre a propriedade privada e qual a sua relação com a história e os povos antigos. Hayek também critica a ideia de igualdade absoluta, que é central no pensamento socialista, e argumenta que a busca pela igualdade total leva necessariamente à perda da liberdade individual. Ele defende que a liberdade individual é uma condição necessária para a inovação, a criatividade e o progresso, e que a busca pela igualdade absoluta acaba levando a uma sociedade estagnada e opressiva.


Hayek defende que a complexidade da economia moderna e a impossibilidade de conhecer todos os fatos relevantes sobre ela tornam impossível que um grupo centralizado de planejadores possa tomar as decisões corretas para a sociedade. Ele argumenta que somente o mercado livre, com sua capacidade de coordenar o conhecimento disperso e atender às necessidades e aos desejos dos consumidores, pode fornecer uma alocação eficiente de recursos.


Cabe ainda salientar que, para Hayek, o comércio historicamente foi visto como algo imoral e desonesto. Os comerciantes foram marginalizados não apenas pelos socialistas, que consideram a busca pelo lucro na venda algo inadequado, mas, também, pelas sociedades antigas que não valorizavam a movimentação de mercadorias entre regiões como algo que agregasse valor ao produto, ignorando a percepção de escassez local.


Essa visão distorcida pode ser encontrada em obras de filósofos como Aristóteles, cujas ideias foram ampliadas por Tomás de Aquino e direcionaram a doutrina anticomercial da Igreja Católica na Idade Média. Tais ideias continuam a influenciar os intelectuais modernos e os levam a acreditar erroneamente que o homem pode racionalmente determinar uma forma melhor de conduzir seu futuro do que as tradições morais. Hayek, por sua vez, rebate as ideias de Aristóteles ao demonstrar que o comércio possibilitou o desenvolvimento e a expansão de nações muito antes do nascimento do filósofo grego.


Por fim, Hayek demonstra, pela história, que o socialismo é um sonho inalcançável, e seu apelo ao respeito pelas tradições morais que formaram as bases do mundo que conhecemos é um alerta crucial. Não é novidade que líderes mundiais tentem interferir na cooperação espontânea entre indivíduos, mas a preservação da liberdade, da propriedade, do comércio e da ordem são fundamentais para que possamos enfrentar os inúmeros desafios de um planeta tão populoso e diversificado, e continuar a evoluir.


Mateus Oliveira, Associado III.

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