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Resenha - O Padrão Bitcoin – A alternativa descentralizada ao Banco Central

Resenha Crítica - Por Gustavo Martins, Associado II do Instituto Líderes do Amanhã


O que é o Bitcoin? Para alguns, é a moeda do futuro, para outros, um item para especulação, ou até mesmo uma “bolha”. O Bitcoin surgiu em 2008, quando o suposto criador da moeda, Satoshi Nakamoto, publicou o white paper (manual) da criptomoeda e de sua tecnologia em criptografia.


Apesar da parte técnica envolvendo o sistema de criptomoedas ser de leitura difícil, o objetivo do livro não é se aprofundar nesse estudo. O título do livro faz referência ao “padrão-ouro”, época em que a moeda não era de controle governamental e se propõe a questionar o sistema atual. Desse modo, da mesma maneira que, para questionar, o padrão-ouro não é necessário estudar as propriedades químicas do ouro, a obra não se propõe a exaurir todos os detalhes técnicos do criptoativo.


Sendo assim, o início do livro aborda sobre as funções elementares da moeda: (i) Meio de troca; (ii) Reserva de valor; e, (iii) Unidade de conta. Na história, vários materiais foram usados como moeda, desde sal, pedras até chegarmos às cédulas de papel e, atualmente, às transações digitais. Entretanto, as moedas mais eficientes eram as capazes de desempenhar essas três funções.


As livres negociações começaram com o escambo, que funcionava em economias menores, mas, em se tratando de economias mais desenvolvidas, o escambo gera um problema de coincidência de desejos. Por exemplo, um produtor de bananas deseja comprar livros. Se o detentor dos livros não quiser as bananas, não haverá negócio. Assim, a moeda se propõe a suprir esse desencontro de desejos, dado que teria aceitação em todo o mercado.


O outro problema atinente às moedas era a dificuldade em promover a reserva de valor. Suponha que o produtor de bananas conseguiu combinar com todos seus pares em utilizar as bananas como moeda de troca. Sendo a banana um bem perecível, dificilmente as pessoas daquela comunidade conseguiriam promover reservas de valor significativas, dado que, passados alguns dias, a banana iria estragar e as pessoas teriam perdido sua reserva de valor. Em outras palavras, a moeda que permite a reserva de valor é aquela que vale hoje e conservará seu valor ao longo do tempo.


Por fim, a unidade de conta é a característica decorrente da unificação da moeda de troca. Uma vez que todos os bens são precificados em uma mesma unidade de valor, precificar e operacionalizar as trocas se torna mais eficiente.


A lição seguinte abordada é sobre as moedas fortes e fracas, que guarda muita relação com a lei da oferta e da demanda. Em resumo, a força de uma moeda é determinada pela sua oferta, sua quantidade em circulação. Um país que imprime muito papel-moeda possui alta quantidade em circulação e consequentemente sua moeda é fraca. Essa ideia é bem ilustrada com o exemplo das comunidades que utilizavam o sal como moeda de troca. Em sendo o sal um material, à época, de difícil extração e que regularmente era consumido, a quantidade de sal em circulação era baixa e permitia que a moeda fosse forte. No entanto, quando os produtores descobriram uma maneira mais produtiva de extrair o sal e o material ficou abundante no mercado, sua oferta cresceu muito e a moeda perdeu valor. Isso é o que medimos pela inflação, a diminuição do poder de compra (fraqueza) de uma moeda.


E justamente em razão desta lição é que, com a evolução das sociedades, as pessoas passaram a usar alguns metais como dinheiro. Metais como ouro, prata e cobre eram duráveis, podiam ser cunhados em moedas e facilitavam seu transporte e, consequentemente, as trocas voluntárias. Isso sem contar que a diferença de valor no metal constante das moedas permitia que as moedas continuassem pequenas, mas com alto valor agregado.


Curioso é que o ouro era e continua sendo valioso até os dias atuais. Isso se deve a sua baixa oferta, porque o estoque mundial existente se mantém muito maior que a produção anual, que nas últimas décadas não ultrapassou 2% (dois por cento) do estoque existente. Mas se o ouro é um material que denota força na moeda, como foi que o papel entrou em circulação?


Com a evolução das civilizações, as comunicações e o transporte evoluíram significativamente e o acúmulo de dinheiro das pessoas seguiu na mesma direção, razão pela qual surgiram os bancos. Nessa época, notas e outros tipos de papel assumiram a função de funcionar como dinheiro por serem mais leves e fáceis de carregar e porque permitiam sua troca nos metais preciosos que eram mantidos nos bancos. Assim, a civilização que decidia que seu papel seria lastreado em ouro, adotaria o chamado “padrão-ouro”.


A Grã-Bretanha foi a primeira a adotar esse padrão em 1717 e, pouco a pouco, os países europeus fizeram o mesmo até que no século XIX quase todo o mundo adotava este padrão. Entretanto, com o passar do tempo alguns países determinaram que as notas e o papel não poderiam mais ser resgatados em ouro.


Em um cenário ideal, todos os bancos guardariam uma quantidade de ouro que correspondesse a quantidade de papel moeda em circulação. Contudo, agora que não é mais possível resgatar este papel em ouro, o governo assumiu o controle sobre as reservas de ouro, já que agora poderiam emitir os papéis como bem entendessem, sem que isso significasse um aumento em suas reservas de ouro.


Esse problema se catalisou na Primeira Guerra Mundial, em que os governos viram que poderiam bancar os custos de uma guerra imprimindo dinheiro, mesmo ao custo de desvalorização de sua moeda.


Desde então, muitos governos e bancos mantêm o controle sobre o dinheiro ainda que com um falso pretexto de que ter mais moeda em circulação é melhor ou de que controlar as taxas de juros seria benéfico, porque motivar gastos na economia é contrário ao hábito de poupar e recompor as reservas de valor.


Nessa esteira, surgiu o Bitcoin, a moeda digital com 100% de verificação pelo próprio indivíduo, que retoma o controle sobre a moeda e as transações financeiras, sem a necessidade de intermediários como bancos ou governos.


Além disso, o Bitcoin não pode ser inflacionado, dado que sua oferta em circulação é limitada. Ou seja, só podem existir em circulação 21 milhões de Bitcoins e ninguém, nenhum banco ou governo pode aumentar esse número, trazendo força perene à moeda. Essa força possibilita aceitabilidade da moeda em qualquer lugar, possibilitando que as trocas sejam feitas em qualquer lugar do mundo, de indivíduo para indivíduo.


O autor demonstra como o Bitcoin cumpre muito bem todas as funções elementares da moeda e devolve ao indivíduo o poder sobre sua reserva de valor, sugerindo assim que ela será a moeda do futuro. Muitos fatores realmente indicam que no futuro não mais usaremos o papel moeda e que passaremos a utilizar alguma moeda digital, no entanto, resta saber se o Bitcoin terá adesão esperada e se realmente será a criptomoeda principal, adotada pelo mercado.


Gustavo Martins, Associado II.

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