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Por que amamos o Estado?

Artigo de Opinião - por Lívia Dalla Bernardina, Associada III do Instituto Líderes do Amanhã


Eu aposto que você já sonhou ganhar na loteria!


Pouco esforço, um golpe de sorte e pronto: a vida garantida.


Um Estado inchado é como uma loteria, mas com vários sorteados.


Isso, claro, quando não somos nós aqueles por ele sacrificados – ou melhor, tributados.


João, por exemplo, recebeu, por anos, Bolsa-Escola, Bolsa-Família e, agora, recebe Auxílio Brasil.


José tem uma empresa grande, mas que, de verdade, só dá lucro por conta dos benefícios fiscais que recebe.


Pedro é um cantor de sucesso, daqueles famosos mesmo! Justamente por isso, sempre consegue patrocínios de empresas, usando a Lei Rouanet.


Já Chico odeia política e políticos! Mas a reforma do seu apartamento “agarrou” e ele procurou um político amigo seu para ver o que ele podia fazer a respeito.


João, José, Pedro e Chico. E talvez você. Cada um à sua maneira, e por suas próprias razões: todos amam o Estado.


No Brasil, funciona assim. Os anos 1980 foram os anos da reforma do Estado mundo afora, enquanto a Constituição de 1988 criou um superestado burocrático fora do tempo.


Governos conservadores, como o de Thatcher, e até mesmo de esquerda, como o de Roger Douglas, na Nova Zelândia, fizeram aquilo que tinha de ser feito: reformar, privatizar, melhorar o ambiente de negócios.


Enquanto isso, por aqui, acordávamos indolentes do regime autoritário e criávamos o regime jurídico único dos servidores públicos.


O Estado, esse gigante em todos os sentidos, é ente sem identidade, uma figura etérea e onipresente, que tudo pode e a quem creditamos todas as nossas responsabilidades. É o pai de todos e o estagiário novo: quem deve cuidar de tudo e o culpado de todos os erros.


Esperamos que o Estado resolva todos os problemas sociais, políticos e econômicos. É por isso que amamos o Estado e detestamos os políticos: só eles têm o poder de mudar nossa realidade, mas não o fazem.


E, enquanto seguimos transferindo a responsabilidade para o outro, estamos em uma zona de conforto, em que não precisamos nos mexer.


Nossa vida não melhora, porque o Estado não funciona. Por outro lado, estamos amarrados. Nossa vida não pode melhorar, porque não podemos agir.


E inegável que o Estado pode ajudar ou atrapalhar nossa vida e, por isso, devemos votar bem e fiscalizar nossos representantes.


Mas o Estado é como o vento: ele sempre estará ali e nem sempre conseguimos escolher sua direção ou intensidade.


Mas sempre podemos ajustar as velas e, com nosso próprio esforço (talvez mais, talvez menos), controlar em qual direção seguir.


Você aí, que ainda ama o Estado: vai continuar à deriva, à espera de um resgate?


Lívia Dalla Bernardina, Associada III.

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