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População possui percepção equivocada do papel das empresas

Artigo de Opinião - Por Luan Sperandio, Associado III do Instituto Líderes do Amanhã


Em tempos em que a sigla ESG (Governança Ambiental, Social e Corporativa, na tradução do inglês) tem sido cada vez mais falada entre empresas, fundos e investidores, o que pensam os consumidores têm pesado para o desenvolvimento de estratégias para que as companhias busquem se conectar com seu público-alvo.


Contudo, há evidências de que a percepção da população sobre o papel das companhias é equivocado. Pesquisa da Futura Inteligência perguntou à população do Espírito Santo o que mais valorizam em uma empresa, em uma escala de 0 a 10, em que 10 significa “concordo totalmente”.


O levantamento apontou as seguintes conclusões:


- As empresas devem valorizar o empregado (8,6);

- Respeitar o meio ambiente (8,4);

- Criar empregos (8,2);

- Orientar-se pela ética e respeitar os valores e a cultura das comunidades onde atuam (8,0);

- Obedecer às leis e normas (7,9);

- Promover ações que melhorem a qualidade de vida da população (7,8);

- As empresas devem gerar resultados econômicos (7,4);

- Empresas precisam gerar lucro (7,4);

- A finalidade das empresas é gerar riqueza (6,1).


Portanto, a pesquisa mostrou que a população coloca um peso menor de importância na lucratividade e os resultados econômicos das companhias.


Já quando questionadas acerca das características mais importantes para uma empresa, na modalidade estimulada, em que poderia se marcar apenas uma opção, as preferências foram as seguintes:


- Criação de empregos (39%);

- Valorização do empregado (22%);

- Respeito ao meio ambiente (10%);

- Ética e respeito aos valores e cultura da comunidade (9%);

- Promoção de ações que melhorem a qualidade de vida da população (6%);

- Geração de lucro (4%);

- Obediência às leis e normas (2%);

- Geração de resultados econômicos (2%);

- Geração de riqueza (1%)

- 5% não escolheram nenhuma dessas alternativas ou não souberam responder.


Esses resultados apontados pela pesquisa mostram uma visão equivocada da função das empresas, pois, na escala de prioridades, há uma relação inversa do que efetivamente são as funções das empresas. Afinal, sem gerar riqueza e lucro, a empresa simplesmente não existirá ao longo do tempo.


Segundo a pesquisa, os capixabas tratam como algo principal para as empresas, na verdade, as consequências da atividade empresarial, e não a geração de valor criada pelas organizações.


Uma possível interpretação deste resultado é que a maior parte dos brasileiros entende de forma inadequada que a economia funciona como “um jogo de soma zero”, uma falácia econômica que sustenta a percepção de que empresas retiram riquezas da sociedade.


Como alerta o professor de finanças da Universidade de New York Aswath Damodaran, que é considerado o “papa” do valuation nas finanças corporativas, o jogo atualmente não envolve somente prestar um bom produto e um bom serviço, mas também ter uma boa aparência. O problema do ESG, contudo, é que ter um bom visual não necessariamente significa que algo está correto por dentro, isto é, eventuais ações promocionais de empresas podem destoar de seu real impacto no meio em que a empresa está inserida.


Entre as lições que as lideranças empresariais podem retirar dessas informações é que se conectar com seus clientes pode ser mais complexo em virtude da percepção equivocada identificada que eles possuem em relação ao papel da atividade empresarial.


Outro insight é que o setor empresarial e as companhias precisam trabalhar melhor junto à população, apontando que não há desenvolvimento econômico sem geração de valor por parte das empresas, e que a lucratividade é um indicativo de que esse processo está sendo bem sucedido.


É verdade que eventuais ações sociais de caráter ESG a serem desenvolvidas pelas empresas precisam se atentar para fugir do jogo das aparências e realmente transmitir o papel que as empresas cumprem. Contudo, para mudar a cultura na sociedade há ações possíveis que as companhias podem corroborar. Entre elas, o apoio a organizações da sociedade civil, patrocinar eventos com temáticas de Economia de Mercado e campanhas institucionais. Ou as empresas iluminam com ideias a escuridão da ignorância, ou ficarão no banco dos réus aos olhos da sociedade.



Luan Sperandio - Associado III

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