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O Recado das Reuniões Infinitas

Artigo de Opinião - Por Leonard Batista, Associado III do Instituto Líderes do Amanhã

No mundo corporativo as reuniões são inevitáveis, afinal, cenários mudam, decisões são tomadas e, para isso, a discussão de tudo que envolve estes aspectos é necessária. No entanto, é preciso sempre lembrar que a principal função de um líder é conduzir pessoas em busca de resultados. Motivar, influenciar e inspirar compõe parte do leque de atribuições de um gestor de pessoas.


Nas diversas organizações, o que é percebido é uma grande parte da agenda de líderes ocupada com “reuniões infinitas” e muitas vezes improdutivas. A frequência exagerada destes eventos contribui de modo significativo para que as tarefas não caibam no período de trabalho. Com o passar do tempo produzir e liderar passam a ser tarefas secundárias, que são executadas após às 19h. O gestor tem toda sua agenda ocupada em reuniões, passa seu dia tomando decisões, no entanto, não tem tempo para comunicá-las ao seu time com qualidade.


Durante a pandemia ocorrida nos últimos anos o problema se agravou. O trabalho à distância proliferou-se pelo mundo corporativo. Empresas de maior porte conseguiram manter boa parte de seus funcionários trabalhando de forma on-line. No entanto, mesmo para tais companhias, o que se viu nas operações foi a manutenção do trabalho presencial. O regime híbrido, no qual parte do time trabalhou em hommeoffice e outra parte presencialmente, provocou o aumento das reuniões, minando o tempo produtivo de colaboradores e tirando o foco do resultado e da excelência operacional.


Os impactos não param por aí. Um estudo da Associação Brasileira de Psiquiatria notou o que chamaram de “Fadiga de Zoom”, fenômeno que define o estresse causado pelas reuniões virtuais. No mesmo sentido, uma pesquisa realizada pela Microsoft comprovou que muitas reuniões em sequência causam fadiga mental. Em outras palavras, o excesso de reuniões trouxe como resultado uma queda da eficiência operacional associada a um declínio da saúde mental de todos os colaboradores.


Andy Groove, fundador da Intel, certa vez disse: “Se ocupar uma posição de liderança, o modo como você usa seu tempo tem um valor simbólico enorme. Isto vai transmitir o que é mais importante ou não com muito mais veemência do que todos os discursos que você fizer”. Aqui há outro ponto a ser destacado: se você precisa motivar, influenciar e inspirar, isso não será possível através de reuniões. Ao não dedicar tempo de qualidade para estar próximo ao seu time, crises poderão se agravar e alterar uma rota desastrosa pode se tornar impossível.


A mudança estratégica começa com sua agenda. Quando foi a última vez que você e sua equipe analisaram o modo com que vocês utilizam seu tempo?


Circular pela companhia, ver as operações de perto e conversar olho-no-olho com diferentes pessoas, faz com que problemas ocultos apareçam. O poder de um café no corredor é muitas vezes subestimado pela alta liderança da organização. Uma reunião não pode ser o único momento em que o líder interage com seus subordinados.


Neste sentido, a expressão “walk the talk” faz muito sentido. Não há discurso que resista a um líder ausente. Ao passar mais tempo em reuniões do que próximo a seus liderados, o gestor passa um recado claro do que é realmente importante e de suas prioridades. Liderança se faz com presença.


Leonard Batista, Associado III.

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