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O Que Se Vê e o Que Não Se Vê – Submarino Nuclear Brasileiro

Artigo de Opinião - Por Leonard Batista, Associado III do Instituto Líderes do Amanhã


Sob o regime do governo militar de Ernesto Geisel, em 1975 o Estado brasileiro iniciou o investimento no programa de construção de um submarino de propulsão nuclear.

O que se vê:


1. Incluir o país no “clube” restrito das nações capazes de construir esse tipo de equipamento – em algumas notícias publicadas podemos ver manchetes como “Brasil pode ter submarino nuclear antes da Austrália”. Nessa narrativa, o Brasil é colocado como uma “potência em ascensão” e está prestes a se colocar no topo do mundo com a finalização do projeto.


2. Eficácia na defesa do imenso litoral do país no Atlântico Sul – boa parte do investimento é justificado sob a ótica da defesa da costa brasileira. De fato, se há algo que o Estado deva se tornar mais eficiente é na defesa de seus cidadãos. O início do projeto se deu na década de 70, quando a Argentina investia em submarinos, e poderia colocar a costa brasileira em risco.


3. Oportunismo tecnológico – não é raro ouvirmos o termo “transferência tecnológica”. Nesse contexto, um dos pontos defendidos pelo projeto é a oportunidade do Estado brasileiro possuir o domínio da técnica de propulsão nuclear por meio de parcerias com outras nações, como Alemanha, e França.


O que não se vê:


1. Falta de prioridades do Estado brasileiro – quando se iniciou a discussão do projeto em 1975, o Brasil possuía 60% de seus cidadãos vivendo na pobreza, sendo 30% deles analfabetos. Ainda assim, o governo optou por gastar milhões em um submarino nuclear para rivalizar com a Argentina. Nos governos Lula-Dilma o projeto foi retomado em 2008 e 2015, quando o país possuía 50% dos brasileiros sem coleta de esgoto e 17 milhões vivendo na pobreza.


2. Gastos inúteis do dinheiro do pagador de impostos – atualmente, ao ser avaliado tecnicamente, o acordo Brasil-Alemanha celebrado em 1975 não faz sentido. Ainda que houvesse sucesso na construção do submarino, o Estado brasileiro não poderia utilizá-lo para defesa dadas as restrições de uso militar presentes no contrato. Mais uma vez, temos um “elefante branco” financiado pelo Estado.


3. Ineficácia do Estado – ao tentar conduzir o projeto, o Brasil reafirma novamente sua ineficácia em conduzir inovações. Sujeito a várias trocas de poder e de visões ideológicas dentro da Marinha, o projeto foi centro de uma disputa de ego e esteve frágil a grupos de interesse. Travado desde o governo militar, o projeto foi retomado no governo Lula e até hoje sofre resistência dentro da própria marinha.


4. Submarino como arma de prestígio – a narrativa de utilização do submarino para proteção e segurança dos brasileiros cai por terra ao avaliarmos de fato quais são nossos problemas. A maior ameaça é interna, e não externa. O Brasil já está desprotegido e em guerra. Tráfico, PCC, milícia, gangues e furtos já deixam o cidadão brasileiro sem liberdade de poder ir e vir tranquilamente. O Estado deveria investir em polícia, leis que não protegem bandidos, punição para criminosos e uma educação que permita que um jovem possa entrar no mercado de trabalho, gerar riqueza e ter sua independência. Mas novamente, o submarino sob a gestão de grupos de interesse torna-se um “mascote de estimação” para as Forças Armadas.


5. Mais um projeto Odebrecht – em 2008, durante o governo Lula, a Naval Group (empresa de defesa do governo francês) assinou contrato com a Odebrecht. Lula e Sarkozy (1º ministro francês) fecharam um acordo de 10 bilhões de dólares para a compra de 4 submarinos. Mais um prato cheio e uma boa fonte de financiamento para a corrupção nacional.


6. Projeto Errado - partindo do princípio de que o Brasil precisa mesmo de submarinos, os submarinos movidos a diesel e eletricidade são mais silenciosos em águas rasas e muito mais baratos de construir, e seriam mais adequados para a defesa costeira.


Desde o surgimento do projeto foram destruídos mais de 35 bilhões de reais. Dinheiro que foi retirado do pagador de impostos por meio do uso da força estatal e que poderia ter sido investido em educação, saúde e segurança. Infelizmente, porém, tal potencial foi desprezado em uma política de interesses próprios da Marinha e de empresas e políticos com um bom histórico de corrupção.


Leonard Batista, Associado III.

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