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O capital é ambientalista

Por Alan Soares – Associado I do Instituto Líderes do Amanhã.

A proteção ambiental é tema cada vez mais frequente nas discussões negociais. Atualmente, os agentes de mercado, antes de efetivarem negócios com alguns setores, buscam as evidências de regularidade ambiental de suas operações. Essa regulação privada do meio ambiente é cada vez mais importante para a proteção ambiental e, ainda assim, pouco conhecida pelo Estado e pela sociedade.

Grande parte do desconhecimento desses novos mecanismos privados de proteção e regulação ambiental nasce de um conceito incorreto que foi estabelecido na sociedade moderna, qual seja, que o capitalismo só se importa com a obtenção do lucro, não havendo preocupações com os impactos causados pela obtenção do aumento de capital.

Quando falamos de proteção ambiental, esse conceito é ainda mais fervoroso. Quem nunca assistiu reportagens ou recebeu informações em redes sociais e sites apontando que o agronegócio brasileiro desmata, destrói comunidades, rios, córregos e causa diversos outros impactos ao meio ambiente? Mas poucas pessoas receberam a informação que o agronegócio brasileiro protege e recupera mais florestas nativas que todas as unidades de conservação ambiental do país.

Segundo a EMBRAPA o setor de agronegócio do Brasil é responsável pela preservação de 218 milhões de hectares, apenas considerando as reservas legais dos imóveis rurais declarados no Cadastro Ambiental Rural, em síntese, podemos dizer que o agro brasileiro preserva uma área superior a superfície de dez países Europeus.

E é preciso destacar que a preocupação com a sustentabilidade no agronegócio brasileiro ganhou força com a pressão do próprio mercado consumidor, e não com imposições do Estado, que atua na questão ambiental através de órgãos ambientais, muitas vezes saturados e com baixos orçamentos. O mercado consumidor, por outro lado, possui a força do capital, afinal, se não há compra do produto, a continuidade da sua produção passa a não fazer sentido.

Chega a ser impactante ouvir que o mercado, citado por muitos como aquele monstro capitalista que busca apenas ganhar mais dinheiro a todo custo, se preocupe com a quantidade de carbono que foi emitida na produção de bens oriundos de matérias-primas retiradas da natureza. Basta ver o esforço publicitário que vem sendo empregado por empresas para demonstrar a sua neutralidade na emissão de carbono.

Por isso, precisamos pensar na ineficiência da regulação pública do meio ambiente, que vem sendo suprida por mecanismos privados de controle, impulsionados por um mercado consumidor cada vez mais integrado com as pautas ambientais. É necessário mudarmos a visão que a sociedade e ambientalistas possuem em relação ao papel do empreendedor nessa discussão, afinal, a realidade dos fatos mostra que é justamente o setor produtivo quem mais protege nossos recursos naturais.


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