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Não adianta ser bom, precisa parecer bom

Artigo de Opinião - Por Luan Sperandio, Associado III do Instituto Líderes do Amanhã


Joshua Bell é um dos violinistas mais notáveis e famosos de sua geração. Começou a tocar aos quatro anos de idade, sendo um aluno exemplar. Aos 14 anos, já era solista da Orquestra de Filadélfia. Estudou violino na prestigiada Indiana University Jacobs School of Music e foi o responsável pelo solo da trilha sonora de “O Violino Vermelho”, ganhador de Oscar. Ele toca com um violino Stradivarius, feito em 1713, avaliado em 4 milhões de dólares. Uma de suas obras, Romance of the Violin, vendeu em 2003 mais de 5 milhões de cópias e esteve no topo entre as músicas clássicas mais ouvidas por 54 semanas. Um ingresso para seu concerto não custa menos de 100 dólares. Com esse histórico, um leigo daria valor a ouvir Bell tocar?


Esse foi o experimento feito pelo Washington Post em 2007. Joshua Bell tocou de graça por 45 minutos na estação de metrô de Washington. Usava jeans, uma camiseta de manga comprida e, um boné de beisebol do Washington Nationals, e uma pequena caixa à frente para recolher doações de quem passasse.


Enquanto ele tocou seis peças clássicas, 1.097 pessoas passaram, 27 doaram e Bell arrecadou somente 32 dólares e 17 centavos.


A performance organizada pelo Washington Post foi um experimento social que avaliou a importância do contexto, a percepção do público em geral e de prioridades. Afinal, a avaliação do gosto do público se dava em um cenário banal e em um momento inconveniente. A beleza da música transcenderia? Não foi o caso.


“Sim, eu vi o violinista”, afirmou um transeunte que passou por Bell, “mas nada nele me impressionou tanto”, complementou Jackie Hessian.


A crença social de dizer que o conteúdo é a essência de tudo, e que deveríamos olhar um livro além da capa, é falsa. Contudo, conforme o experimento, a estética e a forma podem ter um peso infinitamente maior do que o mérito. De nada adianta o quão bom tecnicamente você é no que faz se você não parecer bom.


Um corte de cabelo, as roupas utilizadas, o comportamento pessoal e a estética transmitida em redes sociais são elementos intangíveis, mas que podem garantir boa reputação para um indivíduo, renda e prestígio social, além de retornos monetários.


A mesma análise vale para empresas. A reputação é fundamental para manter a boa imagem frente aos clientes e se conectar ao público-alvo. Não à toa, cada vez mais elas investem em iniciativas dentro do contexto de Environmental, Social and Corporate Governance (ESG).


Independente de se considerar justo, moral ou ético, a verdade é que o mundo não valoriza quem é bom se este não parecer bom.



Luan Sperandio, Associado III

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