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Como o capitalismo de laços condena o desenvolvimento brasileiro

Artigo de Opinião - Por Luan Sperandio, Associado III do Instituto Líderes do Amanhã


Crony capitalism, capitalismo clientelista, ou capitalismo de compadrio é um termo que descreve uma economia em que o sucesso nos negócios depende das estreitas relações entre os empresários e a classe política. Esse modelo econômico é muito presente em países subdesenvolvidos, como o Brasil.


Entre os exemplos de ações do capitalismo de laços estão empresas que pressionam governos para a concessão de favores na forma de monopólios, subsídios, créditos tributários ou empréstimos com juros baixos. Frequentemente, os favores também se dão na forma de regulações e leis que criam barreiras de entradas, isto é, restringem ou impedem a entrada de novas empresas.


Os eventos desvendados pelas investigações da Operação Lava Jato são exemplos do funcionamento desse sistema econômico no Brasil. Nelas, empresários bem relacionados com o governo receberam injeção de capital, subsídios e diversos privilégios, além de pagamentos de propinas a fim de garantir contratos em licitações. As transações nem sempre foram lícitas, causando investigações e condenações penais.


Contudo, antes mesmo da Operação Lava Jato se tornar comum nas manchetes brasileiras, em 2011 o professor Sérgio Lazzarini já expunha a complexidade do capitalismo de compadrio no Brasil na obra “Capitalismo de laços: os donos do Brasil e suas conexões”. O termo “donos do Brasil” não é exagero, pois havia um sistema que se realizava mediante a “criação de alianças e emaranhados comerciais estabelecidos entre grupos privados com o governo”, como aponta a obra.


A The Economist possui um índice que calcula o impacto do capitalismo de laços em cada país. A premissa do relatório “crony-capitalism index” é que as políticas favoráveis proporcionadas por governos favorecem o aumento da riqueza dos magnatas.


Na última edição do relatório, de 2021, o Brasil ficou na 12ª colocação, comprovando que apesar do fim da política de campeões nacionais, o sistema econômico brasileiro ainda tem muito a avançar.


O problema do capitalismo de laços é que, ao minar a competitividade de uma economia de mercado, os serviços disponíveis para a população ofertados pelo mercado privado não são os melhores ou mais baratos. As vencedoras não são as companhias mais produtivas, mas aquelas cujos donos são “amigos do rei”.


Acaso o Brasil queira superar esse modelo econômico extrativista, é preciso que haja maior independência de agências reguladoras, se restrinja legislações que deem poder discricionário ao poder público e evolua em indicadores de transparência e políticas de integridade. Ou o Brasil supera o capitalismo de compadrio, ou este continuará condenando o Brasil à inércia econômica.



Luan Sperandio, Associado III

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