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Como ganhar muito dinheiro em Brasília?

Artigo de Opinião - Por Luan Sperandio, Associado III do Instituto Líderes do Amanhã


Brasília é uma cidade artificial. Há um lago na Asa Norte, mas ele é artificial. Em virtude do clima seco, a respiração também é artificial, por isso, é necessário utilizar um spray nasal com soro. E, para ganhar dinheiro, também é artificial: basta fazer lobby no Congresso Nacional e obter uma lei que garanta para seu segmento econômico uma reserva de mercado ou obter crédito subsidiado pelo poder público.


É o que o economista político norte-americano Gordon Tullock denominou de Lei dos Benefícios Concentrados e Custos Difusos, pois minorias organizadas preponderam sobre maiorias desorganizadas.


Um exemplo disso é a política de Campeões Nacionais, um programa de incentivos a empresas de alguns segmentos econômicos a partir de maior protagonismo do Estado brasileiro na economia. Ela foi capitaneada pelos governos Lula e Dilma Rousseff, por intermédio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Entre maio de 2007 e maio de 2016, o custo dessa iniciativa foi de R$ 1,2 trilhão.


O valor é muito alto, a ponto de, atualizado pela correção monetária, custar mais do que o Plano Marshall, financiado pelo governo dos Estados Unidos para a reconstrução dos países aliados da Europa após a devastação causada pela Segunda Guerra Mundial.


Há muitos incentivos para que uma empresa invista alguns milhões em sua equipe de relações governamentais a fim de pressionar autoridades políticas e obter a aprovação de valores subsidiados de parte dessa quantia. A Odebrecht, por exemplo, recebeu mais de R$ 18 bilhões do banco público, a JBS foi beneficiada com mais de R$ 7 bilhões, a FIAT, cerca de R$ 10 bilhões, a Andrade Gutierrez, R$ 5,3 bilhões, entre tantos outros exemplos.


Contudo, essa política foi paga por todos os mais de 200 milhões de brasileiros, mas custando proporcional e individualmente pouco para eles, cerca de R$ 6 por ano se considerarmos todo o período. O incentivo para se protestar contra essa política pelo brasileiro é, portanto, muito pouco. A passagem de ônibus para ir ao centro da cidade protestar por causa desses empréstimos custa mais do que R$ 6.


Embora a Operação Lava-Jato tenha mostrado que muitas dessas operações foram realizadas graças ao pagamento de propinas, a mesma lógica se aplica a negociações e aprovações lícitas. Ou seja, a busca por essa renda artificial, fruto da política, pode custar muito caro para a sociedade, mas não é necessariamente assunto pertinente ao Código Penal.


Portanto, para ganhar dinheiro em Brasília é relativamente fácil: basta investir em uma boa equipe de relações governamentais. Você e seu segmento econômico podem ser muito beneficiados, bancados às custas dos pagadores de impostos, cujos interesses estão difusos na sociedade e possuem baixo poder de mobilização contra um lobby bem coordenado.


Luan Sperandio, Associado III.

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