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A Desobediência Civil e o ESG

Artigo de Opinião - Por Leonard Batista, Associado III do Instituto Líderes do Amanhã


A proximidade de autores que pensam à frente de seu tempo é um dos principais privilégios de fazer parte do Instituto Líderes do Amanhã. Thomas Sowel é, sem dúvidas, uma das mentes brilhantes das quais estamos próximos. Pode-se dizer que um tema contemporâneo às obras do autor é o ESG (sigla para Meio Ambiente, Social, e Governança, em inglês). Após o surgimento do termo em uma reunião da ONU liderada por Kofi Annan, o assunto ganhou espaço no meio corporativo e tem sido tratado como meta de diversidade em diferentes organizações.


O case prático acontece num cenário que envolve a contratação de cinco novos funcionários para aumento de equipe em uma multinacional do setor de commodities. Tal projeto não é muito comum neste setor visto que um aumento de headcount (indicador utilizado para medir o número de pessoas que trabalham em um setor ou unidade de produção) dificilmente se justifica somente por reduções de custos operacionais. Contudo após muitos estudos, foi possível comprovar que a contratação de novas pessoas com maior produtividade permitiria a redução de gastos com terceiros e o aumento da eficiência do processo produtivo. O projeto foi aprovado.


No entanto, a fase mais difícil não foi a aprovação do projeto, mas sim a contração dos novos funcionários. Para a seleção de currículos, a área operacional estipulou dois fatores:


1. Conhecimento técnico

2. História de vida que permitisse maturidade e valorização do trabalho


Por outro lado, algo não era esperado. O ESG, recém chegado à unidade, reprovou os fatores estipulados pela área operacional. Após isso, selecionou os currículos com fatores diferentes ao que a área operacional solicitara.


O resultado não poderia ser diferente. Ao fim das entrevistas, todos candidatos foram rejeitados pela área operacional. A recusa se deu pela falta de aderência do currículo ao fator gerador da contratação, que era a redução de custos através do aumento da produtividade.


O processo foi retomado, com diretrizes de seleção coerentes com o objetivo inicial. Cinco pessoas foram contratadas e, para surpresa do time de recrutamento, mesmo sem um sistema de cotas, dentre os contratados havia representatividade de mulher, preto e LGBT. O que significara um avanço considerável para a meta relacionada ao ESG. Um sucesso! A contratação dos melhores se deu com o objetivo claro de alcançar resultados financeiros admiráveis, ainda que não ocorra sob a metodologia do politicamente correto.


Contudo, houve uma nova surpresa. No processo de admissão, ao realizar os exames médicos padrão, uma mulher que fora contratada descobriu que estava grávida de seu primeiro filho. Um projeto de redução de aumento de produtividade não se constrói em curto prazo, e pessoas são o fator que mais importa. A defesa da contratação pelo gestor ocorreu, e hoje a pessoa encontra-se na organização. É uma referência dentre os novos contratados. Será mãe de um lindo menino. E entregará resultados suficientes para aumentar o valor que a organização entrega à sociedade.


O aprendizado que fica em minha vida? Nós, gestores liberais, temos o dever de defender a justiça, a felicidade, e a razão naquilo que atuamos. Resultados financeiros sólidos se passam pela geração de valor, e essa é a única saída para melhorar a vida de todos.


Leonard Batista, Associado III.

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