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13 JUN 2017

Quão sujas estão sua mãos?

Quão sujas estão sua mãos?

Victor Maia

A constante observada duarante a operação é a falta de ética que o Judiciário vem descobrindo com as delegações.

Desde  2014, a sociedade vem assistindo a episódios constantes do desenrolar da  maior operação contra a corrupção que o Brasil já testemunhou: a operação Lava Jato. Inspirada na operação italiana chamada de Mani Pulite (Mãos Limpas), a Lava Jato tem se mostrado uma intentona contra a corrupção e crimes de colarinho branco.

Aos olhos do cidadão comum, vê-se uma constante dualidade entre a decepção e a esperança, pois para uns é a constatação de que nosso sistema político falhou e para outros é a “purificação” que já se fazia necessária. Recentemente, o desenrolar da operação ganhou contornos ainda mais polêmicos devido à  delação de Joesley Batista, que, ao olhar de muitos, agiu de forma equivocada e leviana. Pensando nisso, convido a uma reflexão: até então, qual dos envolvidos não agiu de tal maneira? A constante que temos observado no decorrer dessa operação é justamente a falta de ética que o sistema judiciário vem descobrindo por meio das inúmeras delações e investigações exitosas.

Quando um empresário, que “deve” boa parte de suas conquistas ao dinheiro público, argumenta que para se destacar e vencer nesse no mundo dos negócios é preciso compactuar com os esquemas, faz-me regurgitar os mais profundos sentimentos de desprezo. Esse tipo de afirmação é uma afronta a todos os empreendedores e empresários brasileiros que trabalham de forma honesta diariamente. Mas, se analisarmos com mais cautela, vemos que o que é realmente descoberto pela operação Lava Jato é uma política desprendida de valores fortes, que na verdade, flerta diariamente com valores fracos e imorais, na qual o que prevalece é o compadrio, o famoso “quem indica”.

No entanto, com o desenrolar dos diversos acontecimentos, o que temos visto é uma mudança na mentalidade da população, que aos poucos, vem acompanhando a evolução da operação. Apesar da polarização política existente hoje, o que se nota é um discurso cada vez mais intolerante às atitudes escusas e corruptas. Para nós que trabalhamos por uma sociedade focada em valores fortes não é nenhuma surpresa, é apenas o nosso discurso ressonando por diversos caminhos e ganhando seguidores.

De fato, vemos cada vez mais a importância de uma iniciativa como está presente em nosso dia-a-dia. Não apenas pela “purificação” política, mas também pela necessidade já demonstrada pela população, que tanto busca a transparência e a liberdade do Estado Democrático de Direito.